22 de jan de 2016

Kit Black: Viajantes de Mundos

Quinto capítulo: Escamas e muito fogo! (parte V).

Horas mais tarde, Cross estava em seu laboratório, sentado em uma cadeira baixa e lendo um livro encadernado absurdamente grande, cujo qual deveria ter, pelo menos, centenas de feitiços. Ele parecia ligeiramente preocupado com algo, porque toda vez que virava uma página estremecia. A probabilidade de pensar em algo alheio ao seu estudo era bem grande. Desistindo completamente de continuar com aquilo, fechou o volume com uma só mão, deixando-o a um canto e saindo da sala, quase esbarrando em Kira pelo caminho.
-Perdão… o que faz aqui?
Ele viu a garota responder com um olhar atravessado. –Pelo que me consta, posso andar em qualquer lugar…
Cross suspirou. –Certo, certo… prossiga, então…
-Na realidade, achei melhor informar que o grupo de campo voltou…
Com essa afirmação ele pareceu ficar um pouco melhor. –Inteiros?
-Oh, sem dúvida nenhuma… -Ela abriu um sorriso sutil e continuou andando, virando a esquerda no corredor. Cross seguiu seu caminho, descendo as escadas e adentrando o salão de entrada, onde o grupo estava reunido e já devidamente estabelecido, sentado nas poltronas macias e confortáveis.
-Me lembre de nunca mais ir para aquele lugar a menos que a situação seja extremamente urgente… -Dizia Hiei, enquanto acenava para Cross, jogando logo após a mochila para ele. –Aí, estão… escamas de dragão suficientes para fazer, pelo menos, umas cinquenta poções…
-Não faz mais que sua obrigação, já que foi você que quebrou os frascos… -Ele respondeu, pegando a mochila no ar, fazendo-a ser engolida por uma fumaça estranha. –De toda forma, agradeço… -Parou no meio da frase, notando o filhote de dragão nos braços de Kit. –Mas que…?
Ela desceu os olhos para o ser e segurou-o na frente do corpo como se estivesse mostrando-o. –É o que parece ser, oras…
Cloe voltou à sala e sentou-se perto de Kit, observando atentamente. –Legal, posso usar ele como objetivo de estudo?
-Desde que não envolva dissecação… -Entregava o dragão a ela. Este pareceu profundamente aborrecido com tal ato, mas felizmente não tentou fritar a jovem, que logo subiu ao andar superior carregando-o consigo.
-É… por que eu imaginava que ia acontecer algo assim. –O mago segurou a ponte do nariz entre o polegar e o indicador e logo voltou seus olhos felinos para sua aprendiz. –Reze para que Iris esteja bom humor…
-Por que, ele dá um bom cão de guarda…
-Não precisamos de cão de guarda, a sede é impenetrável…
-Nenhum lugar é totalmente impenetrável…
-De fato, mas não necessitamos de um cão de guarda que vá queimar-nos até os ossos.
Ela fez um biquinho de descontentamento. –Não seja cruel…
-Ahh… tá, que seja… -Revirou os olhos. Passou por ela e segurou uma de suas orelhas, puxando-a discretamente. –Vamos…
-Mas… -Ela gemeu baixinho de dor. –Para onde?
-Continuar seu treinamento… -Ele começou a puxá-la, forçando-a a segui-lo.
-Mas eu acabei de voltar!
-Nunca disse que seria fácil… ensiná-la-ei a fazer a poção, já que estamos aqui… -Ele abriu um sorriso de canto.
-Okay, okay, apenas solte minha orelha, isso dói… -Protestou, ao que este atendeu rapidamente.
-Venha…
Ken viu os dois deixando o salão e jogou a cabeça para trás. –Algo me diz que isso não vai acabar bem…
-Vou pegar os curativos e algo contra incêndio… -Hiei abriu um sorriso forçado, levantando-se e indo para outro local. Agora só estavam Mitaray e Ken no salão. O último levantou novamente a cabeça, com um ar de interrogação.
-Diga-me… o que tem de tão diferente nas armas de vocês…
O outro levantou uma sobrancelha, sem entender. –Onde quer chegar?
Estreitava os olhos. –Eu achei estranho quando derrotou os esqueletos no Caminho da Ilusão, mas depois de tudo o que aconteceu acabei esquecendo… mas… -Ken piscou os olhos verdes e apoiou a cabeça na mão. –Essa missão me fez relembrar…
-E…? –O jovem mantinha o olhar tranquilo, e a mesma posição de antes. –O que lhe chamou a atenção?
-O dragão… você o derrotou com um só golpe…
-Questão de lógica e acertar no ponto fraco…
-Eu acho que não… -Ken parou o que estava dizendo quando um alarme soou na sede, fazendo com que parassem o diálogo, que já começava a tomar um rumo inesperado.
-O que será que foi agora?
-Hum… não é uma chamada?
Kira voltou a descer e deixou-se escorregar pelo corrimão, caindo ao pé da escada. –Chamada do Palácio de Granito…
-Isso não é da alçada da Iris, irmã?
-Ela saiu já há algum tempo… -Deu de ombros. –Não voltou desde então…
-Não para em um lugar nenhum… -Retrucou o rapaz com um olhar cético. –Então… chame o Cross…
O som se repetiu mais uma vez, fazendo-os estremecer. A jovem fez uma careta e inclinou a cabeça: -Ele está ocupado explodindo o laboratório dele…
-Eu atendo… -Mitaray levantou-se de seu recanto e subindo as escadas. Alguns minutos se passaram antes que ele descesse novamente, demonstrando uma rara expressão de preocupação. –Vamos nos preparar para sairmos novamente…
-Outra missão?
-Pior… É a Iris… Foi sequestrada…
Eles não esperaram a resposta, se dispersando para avisar os outros.


O caso era que Iris havia caído direitinho em uma das armadilhas que sua rival armara… Nesse instante, estaria sendo levada presa, a caminho da Torre da Perdição, quartel-general de Haradja. Correntes grossas passam pelas suas pernas e braços, e coisas asquerosas a escoltam… e mesmo que seus aliados estejam dispostos a interceptá-la antes que chegue a Soledad, isso não é possível… não mais…
Ela pede em pensamento que eles tenham o bom senso de não se arriscarem… sabe que são novatos, dificilmente terão sucesso… mas essa prece também será em vão. Iris deixou a cabeça tombar contra as paredes do estranho veículo que a carregava, fechando os olhos. Já havia previsto tudo o que aconteceria, e não acabaria de uma forma feliz.
-Que os Deuses os protejam…
Um dos demônios que a escoltava deu uma risada malévola. –Os Deuses não existem aqui…
-Não te perguntei nada, verme insignificante…
O ser praguejou, mas contentou-se em cutucá-la com a lança que carregava. Haradja queria-a viva. Se alguém fosse acabar com a raça dela, seria sua mestra em pessoa, e ninguém mais…

   

Kit estava recostada em um dos bancos do jato, pálida e cansada. Preferia manter-se em silêncio, a situação estava suficientemente fora do controle para qualquer comentário alheio…
Você parece preocupada.”
Ela suspirou, sem responder… não estava a fim de entabular conversa com sua consciência ou seja lá o que fosse que mantinha-se dentro de sua cabeça.
Ignorar-me não fará com que eu vá embora…”
Não quero conversar”.
Está com medo.”
Não estou.”
Está… porque quando lida diretamente com o assunto Haradja, sabe que pode descobrir coisas desagradáveis… sobre si mesma e seu passado…”.
É apenas um destino idiota”
Não o é… é algo importante… mas uma criatura como você não pode entender… não quando toda a sua vida anterior foi baseada em uma grande mentira.”
Aquilo fez com que ela gela-se por dentro, sentindo-se sufocar. “O…o que quer dizer com isso?”
Que tudo o que sabes é apenas uma parte ínfima da verdade… Porque, na realidade, você é a irmã caçula…”.
Sou filha única”

Não… não é… Haradja é sua irmã…”.

~Kit Black

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