9 de abr de 2016

As aventuras de Ame-senpai e Dead Victor: A donzela em perigo 01

Ame-senpai


Eu já deveria saber que meu dia ia ser péssimo, tanto que deveria voltar a deitar e dormir novamente. É claro, minha mãe continuava mega irritada depois das férias que levei Vic para passar no Acre, e das cinquenta chamadas não atendidas que eu havia displicentemente ignorado. De forma que tive que ir até sua magnânima presença para me explicar.
É claro, eu adiei o máximo que consegui, e isso me custou a companhia de Victor, que teria aliviado muito a minha barra, já que mamãe geralmente mima-o bastante, e uma palavra sequer dele seria o suficiente para o sermão ser cortado pela metade.
Mas acabamos nos separando, e eu tive que enfrentar minha mãe sozinha.
Ela e sua aparência demoníaca dos infernos.
Bom… na realidade mamãe, ou a Rainha dos Vampiros, ou simplesmente Charlotte para os menos íntimos que eu (também chamada de Char), tinha uma aparência muito bonita, que eu tive a felicidade de herdar - com exceções dos seus olhos vermelhos que me fazem sofrer arrepios, principalmente quando estão tomados de ira contra a minha pessoa.
O problema maior era um certo maldito laço, numa primeira olhada inocente, que mantêm preso nos cabelos e que possuí um olho de íris laranja frenética que simplesmente não para de se mover. E de me encarar.
Enquanto eu ouvia a interminável bronca, como havia feito várias vezes antes, preferia não encará-la diretamente nos olhos, usando o truque de focar minha atenção um pouco acima desses. Isso funcionava muito bem antigamente, antes dela arrancar o olho de um mal subordinado e pregá-lo no acessório. Agora o maldito globo ocular seguia todos os meus movimentos, e nem sequer tinha uma pálpebra para que pudesse fechar. Repugnante.
Desviei meus olhos pela enésima vez da coisa para focá-los na boca de mamãe, tentando me lembrar sobre o que ela estava falando na última meia hora.
- Você compreende, não é mesmo? Precisa resolver isso hoje mesmo…
- Mas hoje eu tenho…
- Não estou te perguntando o que tem ou não, estou te enviando para resolver uma missão, de acordo?
- Sim, velha… digo, mãe.
- Você quer que eu arranque um de seus belos olhos verdes que me lembram tanto o imprestável do seu pai para colocar em outro laço? - Ela estava com uma expressão óbvia de sadismo crônico que me fez automaticamente mover a cabeça de maneira negativa. Se existia alguém que me fazia transpirar de medo, sem sombra de dúvida era ela. Que sorte do Vic por cair em suas graças… ela parecia ter um fraco por cães, achando-os adoráveis, e meu aprendiz é meio lobisomem (parece que ninguém pode ser apenas uma coisa hoje em dia).
Ela deveria me vender e comprar um coelho assassino dos Campos de Asfódelos para por no meu lugar.
Aquela mulher tinha até feito ponta em um filme batendo no Superman. Sabe, existe um limite do quão apelona e negligente alguém pode ser...
Deixei os salões onde minha mãe dava audiências de cabeça baixa, arrastando os pés e resmungando. E não demorou muito para que o celular tocasse. Normalmente eu ignoraria, mas Megalovania era o toque de chamada do Victor, então forcei-me a atender. - Onde você está?
- Saindo do filme do Deadpoul. Eu disse que iria no cinema.
Houve um retardo mental gigantesco da minha parte ao ouvir aquilo. Deadpoul… o miserável do meu servo havia assistido sem mim. Morte a ele por isso! - Como pôde trair-me dessa forma?
- Mas eu te avisei…
Sim, ele havia avisado que ia ao cinema, mas não para ver o filme que eu também queria ver. Enquanto eu xingava-o mentalmente de tudo quanto é nome, ele continuava as explicações via celular.
- Deixei na nota da geladeira…
- Pro quinto dos infernos com sua maldita geladeira, ela tem algo contra mim também, e além do mais...
O que veio a seguir me pegou completamente de surpresa. Em meio ao meu chilique contra meu aprendiz inútil notei um faixo fluorescente de luz verde incidindo diretamente sobre mim. E bem, quando eu levantei a cabeça para observar o que era, já era meio tarde, e o OVNI que pairava sobre minha cabeça já havia me abduzido.

Uma ótima maneira de passar o dia, bancando a prisioneira de alienígenas cor-de-rosa felpudos vindos sabe-se lá de que sistema da galáxia…

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