14 de jan de 2016

Kit Black: Viajantes de Mundos

Quinto capítulo: Escamas e muito fogo! (parte III).



Kit chegou para trás bem a tempo de se esquivar de um pedaço de casca de ovo duro como ferro que passou silvando em sua direção. Olhou atônita para o ninho improvisado. Uma criatura tinha saído do ovo, com garras afiadas e escamas reluzentes, de um escarlate vivo, com as veias das asas se projetando em tons de negro. Não era maior do que um gato, mas suas asas abertas tinham a envergadura superior ao dobro do seu corpo. A fina calda, com três espigões na ponta, agitava-se mais do que a própria Kit. As patas eram pequenas e aparentemente frágeis, e na ponta de seu fino pescoço se propagava uma cabeça igualmente fina, com chifres curtos e olhos estreitos, verde-esmeralda. No conjunto, era até uma criaturinha bonitinha. Foi o que a garota pensou antes do filhote de dragão conduzir um jato de fogo em sua direção.
Ela sentiu que era puxada para trás, mas ignorava quem fosse… A chama passou tão perto que ela poderia ter perdido o nariz… Dois braços fortes agarravam-na, de modo que Kit não poderia se mexer nem se quisesse…
-Parada… Eles investem contra centros de movimento…
Suspirando de alívio, a garota seguiu as ordens, mantendo-se estática, enquanto dialogava…
-Mitaray… Você me assustou… Como me achou?
-Eu ouvi você gritar…
-Eu não gritei…
-Então deve ter sido só impressão. –Ele sorriu-lhe, com doçura, e olhou a pequena criatura, que se esforçava para tirar uma das asas que ficara presa debaixo de um pedaço de casca de ovo. –Meus parabéns, Kit, você conseguiu… Achou um dragão mais cedo do que imaginávamos, e nem precisamos entrar mais no território…
Kit não respondeu, apenas observou o serzinho se contorcer, tentando se libertar, inutilmente.
-Não é justo…
-O que?
A jovem se aproximou lentamente do dragão. Podia sentir o ar esquentar drasticamente ao seu redor. O ser silvou, ameaçando queimá-la novamente, mas ela continuou a andar, bem devagar.
-Kit… O que está fazendo?
Ela continuou a caminhar, chegando perto apenas o suficiente desprender o dragão. Retirada a casca, deu dois passos atrás e ficou observando, em silêncio, enquanto a criatura esticava as asas e fazia uma tentativa de voo, logo caindo ao chão.
Mitaray desviou seu olhar para o dragão.
-Está machucado… Não poderá voar tão cedo.
A garota não respondeu. Mordeu levemente os lábios, silenciosa, provavelmente tramando algo. De alguma forma, ele tinha uma ideia do que ela estava pensando. Era muito óbvio.
-Você vai levá-lo?
-Ele não pode ficar aqui…
-Ele é um dragão! Está no único lugar deste reino onde não pode ser ameaçado.
-Está numa fenda de rocha esquecida pelo tempo… Não acha isso estranho? Você mesmo disse que os filhotes eram criados no Berço de Chamas.
Ele parou para analisar a situação por alguns segundos, antes de afirmar, categórico: -Mesmo que o levemos… Crós vai querer usar as escamas dele, e acho que não vai querer que isso aconteça.
-Eu me resolvo com Salem… E, além do mais, ainda não acabamos. Precisamos achar escamas…
-E achamos… Mas você prefere ignorá-las. –Mitaray deu de ombros, aparentemente vencido. Colocou uma mão no ombro da garota, abrindo um sorriso sutil, característico dele. –Não me leve a mal… Entretanto, sabe que vai arranjar problemas se for fazer isso mesmo, não é?
-Sim eu sei.
-Tudo bem. Está sob sua própria conta e risco. –Olha de viés para a criatura, e depois para Kit. –A questão é: Será que ele irá com você?
Ela fez uma careta. Não havia pensado nisso. Como se fazia um bebê dragão ir atrás de você? Cobrindo-se de ketchup? Quem sabe talvez molho para churrasco…
-Não faço ideia…
Abaixou as orelhas, chateada. O ser ainda tentava voar, sem sucesso algum. Em certo instante, sentou-se sobre as patas traseiras, mordendo descontraidamente as próprias asas, como se estivesse culpando-as por não o sustentarem. Os olhos verdes passaram por todas as direções, antes de localizarem Kit. Ele silvou baixo para ela, abrindo um pouco as asas. A jovem deu novamente alguns passos na direção dele, com a mão estendida em sua direção. Um, dois, três passos. Mitaray não disse nada. Ela se perguntou se, mesmo depois daquele comentário que fizera, ele a ajudaria novamente. Obrigou-se a voltar sua atenção para o dragão. Mesmo que não pudesse levá-lo consigo… Pelo menos tinha que colocá-lo num lugar seguro. Mesmo sendo um ser mitológico e inteligente, cuspidor de fogo e devorador de lava, não sobreviveria ali sozinho… Teria que levá-lo ao Berço de Chamas. Era sua melhor opção. Andou mais alguns passos. Ele silvou, ameaçando tentar fritá-la pela terceira vez. Ela parou, agachando-se a frente dele, sem tocá-lo, no entanto. A mão continuava estendida, num convite mudo. Viu o dragão inclinar a cabeça para o lado, como se estivesse pensando: “Está fazendo o que, garota-gato-burra?”. As enormes asas voltaram a se abrir e ele levantou-se, avançando com cautela, até tocar o focinho nos dedos de Kit. Chegou ainda mais perto, cutucando a mão dela com o topo da cabeça. A jovem teve que afastar um pouco a mão, ou os chifres a arranhariam.
-Parece que gostou de você…
-É… -O dragão finalmente pulou para o colo dela, se encolhendo e repousando sobre suas pernas. –Primeira parte concluída. Só falta tirá-lo daqui.
-E enfrentarmos um exército de dragões para colocá-lo dentro do Berço de Chamas. Fácil.
-Não seja tão pessimista, isso é coisa do Hiei…
-Não estou sendo pessimista, estou sendo prevenido… -Coçava a cabeça, com um ponta de preocupação. –De toda forma, vamos indo…

   

O computador finalmente atualizou, mostrando que fora devidamente consertado. Kira acabava de dar os últimos reparos, e logo acenava para Cloe, sem erguer a cabeça.
-Venha…é todo seu.
A jovem fez uma careta de descrença, mas logo se sentou numa cadeira, girando-a para ficar de frente a tela, depois de a outra lhe dar passagem.
-Você tem certeza?
-Veja por si mesma.
Ela bateu levemente com o dedo na tela da máquina, enquanto os devidos programas eram abertos. Cloe viu a tela de vídeo aparecer, e nesta a face de Ken.
-Demoraram muito…
A irmã se debruçou e começou a praguejar, enquanto resmungava o quanto fora difícil concertar o computador e como ele deveria ser mais grato. Cloe cutucou-a insistentemente para que ela se calasse. Depois voltando os olhos castanhos para a tela, começou.
-Como está a situação?
-Ruim… perdemos Mitaray e Kit, e não conseguimos manter contato… mas de acordo com o combinado, deveríamos nos reencontrar no Berço de Chamas caso ouve-se uma situação assim.
-Kit só me dá problemas… -Ela passou a mão pela testa. “Deveria ter seguido o previsto, mas sempre tem que se meter em confusão…”. Sabia que a garota tinha se mostrado uma batedora eficaz, mas não se contentava apenas em observar…
-Isso é algo que já tínhamos previsto…
Ela tirou as mãos e se espreguiçou. Estava pensativa. “Se houver algum descuido, morrerão carbonizados.” Não deveria ser algo agradável. Ajeitou-se, juntando os dedos das mãos. –Siga…
-Como assim, siga?
-Siga… vá em frente, rumo ao Berço de Chamas.
-Este é o seu plano?
-É o melhor que temos, a menos que consigam contato com os batedores… -Ela inclinou a cabeça, fitando-o com uma expressão quase inocente. –Duvidas de mim?
-Er… -Ela viu-o sacudir freneticamente as mãos em resposta. -… claro que não… mas e depois?
-Depois… -Um meio sorriso surgiu em seus lábios, e ela aproximou-se mais da tela. –Escute bem, isso pode salvar as suas vidas…

   

Ele desceu da árvore em que estava sentado alguns minutos antes e caminhou silenciosamente para a cidade. O arco passava pelo ombro, preso a seu corpo por este, e as flechas acomodavam-se dentro de uma aljava mesclada de verde e marrom, que ajudava a confundir com o ambiente em que estivera. Alberich não tinha receio de ser encontrado. Apenas queria evitar tal coisa. Seria muito complicado se desvencilhar de dezenas de guardas. E detestava lidar com guardas.
Continuou a caminhar até chegar aos portões de Sybelle. A cidade capital do reino era bem organizada, mas pecava quando se tratava de recepção. Os guardas imperiais circulavam por todo lugar mais improvável, e qualquer pessoa vagamente suspeita era interrogada. Alberich era um elfo de Faren e, muito além disso, era agora um integrante externo da Equipe Black, um informante. O Imperador podia não considerá-lo uma ameaça, mas a sua guarda o achava muitas vezes impertinente, assim como o resto da Equipe. O Senhor do Palácio de Granito até tentara dar um fim nestas demonstrações claras de desafeto, mas foi em vão. De modo que o elfo apenas começou a evitar encontros desagradáveis, e sempre entrava pelo lado de floresta, praticamente invadindo os limites da cidade pelo lado menos vigiado possível.
E, da mesma forma, aquilo ainda era um aborrecimento. Não havia forma de evitar completamente os guardas. Isso se provou verdade quando ele dobrou a quinta esquina. Um destacamento de cinco guardas o fitou de modo desconfiado, e um até mesmo levou a mão ao punho da espada.
Por que será que eles não podem simplesmente me ignorar?” Ele sabia que era pedir demais. Continuou a caminhar, no entanto, ignorando os olhares e a mão pronta a lançar um ataque a qualquer instante.
-Hei, você!
Ele já havia passado pelo grupo, mas parou e virou a cabeça apenas um pouco, de modo que pudesse fitá-los de esguelha.
-Sim, meus senhores?
Um dos cinco foi até ele e o examinou de perto, recebendo um olhar indiferente em resposta. Logo, continuou:
-Tome cuidado, há traidores soltos por aí… Dizem que Haradja está marchando…
Ele se afastou novamente. O tom que usara deixava claro o que estava escrito nas entrelinhas: “Estou de olho em você, elfo, se for um deles, saberei.” Mas Alberich apenas ignorou isso. Algo mais urgente entrara em sua cabeça. Voltou ao seu antigo caminho, lançando um “obrigado” não muito convincente para o grupo. Continuou a caminhar e caminhar, até ele desaparecer completamente do seu raio de visão.
Haradja marchando? Haradja não marcha… ela manda seus demônios, assassinos e esqueletos vivos fazerem seu trabalho sujo.” Abaixou a cabeça, pensativo. Prédios de arquitetura estilizada passavam por ele, mas não notava isso. Vibrou as orelhas pontudas, tentando captar pedaços de conversas. Saberia que só ouviria cochichos por parte dos guardas, já que a notícia dificilmente chegara a população comum. O Imperador e os Deuses preferiam assim, para evitar um provável caos. Mas o ataque a Cidade das Águas correra de boca em boca do mesmo jeito, assim como o assassinato (ou, havia quem dissesse sabotagem) de boa parte da Equipe Black. A questão era que os humores estavam bastante alterados, de qualquer jeito, e espalharem que a selvagem-cruel-sanguinária Haradja saiu de seu covil deveria trazer mais problemas ainda.
Ouvia atentamente, mas nada de novo foi adicionado ao fato… nada de convincente, ao menos. Pegou-se imaginando se era apenas um boato, e, caso não fosse, o que poderia ter levado a isso. Haradja poderia estar cansada de ficar tanto tempo inerte… pouco provável. Ela não se mostrara o tipo de pessoa determinada a liderar seu próprio exército em uma batalha… a menos que a chegada da garota que estava fadada a derrotá-la tenha feito com que ela saísse de sua zona de conforto… mas isso era tão ilógico quanto à primeira opção. Se a Milady Infernal estivesse tão preocupada com Kit, certamente teria começado sua marcha há um mês, quando a menina se juntou a Equipe…
Ele passou a mão pela testa mais uma vez, e girou para subir os degraus que levavam ao portão do Palácio de Granito. Mais uma dúzia de guardas o guardava.
Mais essa…”
-Quem vem?
A voz estridente do capitão chegou aos seus ouvidos, fazendo-o se contorcer por dentro. O atual comandante dos guardas devia ter mais de 40 anos, e utilizava uma suíça que, em vez de tornar seu aspecto mais respeitável, só levava-o ao ridículo.
-Alberich de Helm, senhor… tenho assuntos urgentes para tratar com Nicolas…
-Com o Senhor do Palácio de Granito, você quer dizer.
O elfo respondeu com um esgar de ceticismo.
Que seja”
-Se o agrada… sim, preciso me reportar a ele.
-Ele não está disponível no momento… -Juntou as sobrancelhas, encarando Alberich abertamente. –Você não é aquele elfo informante?
Como se existisse outro andado por estas bandas…”
-Creio que sim…
-Sempre furtivo… não seria um espião, certo?
-Se eu fosse um… -Um sorriso surgiu em seus lábios, rapidamente: –Você nunca desconfiaria.
-Faria bem segurar a língua, se não quer vê-la cortada e espetada em algum poste por estas bandas. –Agora a fisionomia do capitão não era nada feliz. Seus dedos correram pela empunhadura da espada. Quase automaticamente, Alberich já havia tirado o arco e encaixado uma flecha neste, de modo que uma batalha poderia começar a qualquer instante.
-E és tu quem pretende cortá-la?
O barulho de aço deslizando em couro se fez ouvir, enquanto o senhor retirava sua espada da bainha, pronto para dar uma estocada. O elfo esquivou, puxando a flecha rapidamente e soltando. Ela cravou-se a alguns centímetros acima da cabeça do combatente, numa pilastra atrás deste. Ele girou sobre seu próprio eixo, pronto para dar um segundo golpe, lateral, com a espada. Os outros guardas, vindo para ver a causa da algazarra, começavam a desembainhar suas armas também.
-Já basta, Baltazar.
O golpe parou imediatamente, assim como todos aqueles que estavam circundando os dois combatentes. Nicolas deu dois passos a frente, mostrando-se visível. Mais uma vez escutou-se o barulho de aço raspando em couro, mas era agora de, pelo menos, doze espadas, sendo guardadas a um só tempo.
-Meu Senhor… -Alberich, fez uma leve mesura. Já estava com seu arco guardado também, e os cabelos ruivos pareciam levemente desalinhados, causa de sua último tentativa de se desviar.
-Milorde. Não é o que está pensando…
-Eu sei muito bem o que penso e com o que isto se parece, Baltazar, não necessito de suas explicações. –Ele segurou a ponte do nariz entre os dedos, suspirando profundamente, e continuou: -Volte para seu posto, eu assumo daqui.
-Mas…
-É uma ordem. –Não esperou o capitão responder e virou-se para o resto dos guardas: -O trabalho de vocês é manter a segurança do Imperador, não tentar adivinhar quem será o próximo espião a cruzar estes portões. –Estreitou os olhos. –Aconselho que comecem a arranjar isso a partir de agora.
Alguns resmungos baixos se seguiram, mas em poucos segundos todos já haviam voltado a seus afazeres. O Senhor do palácio de Granito, fez um gesto ao seu convidado para segui-lo, e os dois entraram no palácio, os passos ecoando no silêncio.
A sede do governo de Diamante tinha este nome porque realmente era feita quase completamente de granito. A rocha se mostrava no piso, nas paredes, nos ornamentos do teto… uma verdadeira obra de arte construída por um dos Deuses, diziam, o qual o Imperador tomava como morada e sala de audiências. Ali também vivia sua família, caso houvesse, e seus subordinados de mais alto escalão. Nicolas era um deles.
O poder do Reino nunca fora hereditário. Eram os Deuses que escolhiam um novo Imperador assim que o anterior morresse. Não era o tipo de cargo provisório. Se fosse escolhido para governar e aceitasse, viveria o resto de sua vida no palácio, e apenas a morte lhe tiraria do trono.
-Sua mira já foi melhor…
O elfo sorriu: -Eu errei propositalmente.
-Imaginei. Pensei que tivéssemos combinado de que evitaria este tipo de situação.
-Eu evito, senhor… eles que cismam em retirar suas lâminas sempre que me avistam. –Deu de ombros, passando os ágeis dedos pela corda do arco, que atravessava a frente de seu corpo. –Legitima defesa, é como respondo.
-Eu chamo de língua viperina. –Passou as mãos pelos cabelos. Parecia cansado. –Queria tratar comigo?
-Sim. Correm boatos na cidade, entre os guardas.
-São o que parecem. Boatos. –Abaixou o tom de voz. –Haradja não está em marcha, mas seu exército está… deslocam-se em duas frentes, mas já sabe disso.
-Eu sei. Mas preferi confirmar.
-Ótima decisão. Mas seja quem for que espalhou o boato, conseguiu o que queria. Os civis estão começando a escutar, e se isso não for controlado…
-Teremos caos.
-Acredite, isso não é nem a pior parte. Realmente creio que haja traidores entre nós, e devem estar aqui dentro também. –Mexeu desconfortavelmente os dedos, antes de continuar: -Preciso ter certeza.
-De que?
-De quem eu imagino que seja o responsável pela chacina da minha… -Ele parou. –De boa parte da Equipe Black original.
Ainda é muito recente… e ele ainda se culpa.”
Alberich ficou alguns instantes em silêncio, antes de continuar. Ele já havia se oferecido para buscar o causador, e este era um de seus “trabalhos” atuais, de modo que era inútil voltar neste assunto, já que não tinha nada de novo para informar.
-Deve saber…
-Iris mandou a garota para uma missão em Dragon. Eu sei disso.
-Preocupado?
-Receoso.
-O que tanto teme?
-Você não é ignorante, elfo… sabe muito bem.
Ele deixou mais um sorriso ligeiro passar pelo rosto. –Sempre se esqueces de com quem estás a falar, não é?
-Nem por um fugaz instante. –Foi a vez de Nick sorrir. –Escamas de Dragão?
-Sim… pergunto-me o que Cross está tramando.
-Escamas de Dragão são usadas em várias poções, principalmente de invulnerabilidade.
-QUASE invulnerabilidade… mas o que ele imagina fazer com isso?
-São sempre uteis, caríssimo amigo de orelhas pontudas. –Ele juntou os dedos das mãos na frente do rosto. –No entanto, ele deve ter algum motivo para manter seu estoque cheio. E aposto que este motivo começa com a letra H.
-Haradja é imortal, de toda forma, uma poção dessas não garantirá ganhar dela… é até mesmo inútil.
-Ela é imortal, mas o resto do seu exército não é… -Parou de andar, virando-se para encarar o elfo. –Sabe onde me encontrar. Qualquer nova informação que consiga, venha procurar por mim.
-É para isto que sirvo, meu senhor. –Fez uma nova mesura, girando nos calcanhares e começando a fazer o caminho inverso, antes de ouvir o outro o chamar.
-Alberich!
-Sim?
Acenava para uma das janelas. –Por este trajeto não há guardas.
Negava com a cabeça. –Prefiro sair pela porta.
-Não tem mesmo jeito…
-Eu tento, meu senhor.
-Ah, sem dúvida nenhuma… -Fechou os olhos e voltou a seguir para o fim do corredor, antes de acenar levemente com a mão. –Até…e tente não causar mais tumulto.

-Como ordenar. –Saía pela porta, voltando todo o caminho. O dia estava longe de acabar, e Alberich sabia que ele seria realmente muito longo…

~Kit Black

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