11 de fev de 2016

Kit Black: Viajantes de Mundos


Sexto capítulo: A Lady Infernal (parte III).


-Enforcados… mais uma vez…
Cloe riscou com a caneta azul o bloco de notas que estava descansando em seu joelho e observou os outros dois colegas. –Está bem que isso não seja uma brincadeira comum neste mundo, mas não é tão difícil assim… é só dizer as letras e usar dedução lógica… qual é a dificuldade nisso?
Hiei fez uma careta e levou um dedo a bochecha. –Suas palavras que são difíceis.
-Concordo com ele… -Sacha alegou, fechando a cara e pondo-se a olhar uma vez mais as unhas, naquele dia pintadas com um esmalte florescente em um tom de verde.
Cloe bufou e fechou o bloquinho, colocando a caneta atrás da orelha. –Chega… perdeu a graça… -olha pela janela do jato e estremece. –Está esfriando muito…
-Estamos em um deserto… isso é o tipo de coisa que você já deveria saber… temperaturas altas de dia, quase abaixo de 10 graus à noite…
Cloe revirou os olhos. Às vezes Hiei gostava de reafirmar o óbvio. Voltou a recostar-se, pensativa. –Será que está tudo correndo bem?
-Quem sabe… eles ainda não entraram em contato…
-Estamos começando a ficar esquecidos… -choramingou Sacha, o que fez Cloe levar a mão a boca para esconder um risinho, mas logo assumiu seu tom sério novamente.
-Conseguem ouvir?
Sacha e Hiei se entreolharam e depois voltaram a fita-la, balançando lentamente a cabeça em sinal negativo. Para variar, sua audição era sempre melhor que a maioria da equipe… com exceção de Kit, talvez… não teve muito tempo para pensar nisso, quando um baque violento contra o teto do jato fez com que este chacoalhasse e desequilibrasse os três.
-Mas que…?
-A pergunta certa não seria… quem? –uma voz desconhecida a eles soou do lado de fora, e logo um par de pés calçando botas grossas apareceu, passando pela fresta que era a porta aberta e lançando-os um olhar de escárnio. Os cabelos eram de um tom escuro, sem uma cor muito definida… pareciam ser ligeiramente ruivos, mas não dava para se ter certeza. Os olhos seguiam o mesmo padrão… para se falar a verdade, a aparência toda dele passaria despercebida em qualquer lugar com muita gente… Algo comum, sem muitos atrativos, que não podia defini-lo como bonito ou feio… extremamente instável. A única coisa que faria alguém olhar duas vezes era sua vestimenta, que lembrava vagamente uma roupa de caçador, feita de pele e couro, num tom apático de marrom. Um arco passava pelos seus ombros, assim como a alça de uma aljava… mas ele não parecia disposto a atirar flechas, porque puxou algo que parecia ser uma espada e apontou-a aos três, que se olhavam como quem não entende absolutamente nada. –Ora… que pena… a gata-de-rua não está com vocês…
O cajado de Hiei apareceu prontamente em sua mão, enquanto Cloe já havia pegado o chicote no momento que este adentrara o jato, em sua mais lavada cara de pau. Suas orelhas de lobo que a faziam ficar quase fofa também já tinham aparecido, assim como a calda, o que significava que ela estava pronta para a batalha que certamente viria. Sacha seguiu seu exemplo e transformou-se, logo se apossando de seu jogo de arco e flechas e mirando uma na testa do rapaz.
-Vá embora… você está em desvantagem… -alegou Cloe, fazendo o chicote estalar… embora soubesse que não era bem uma verdade. Eles podiam ser três contra um por enquanto, mas estavam presos dentro do jato, e ainda teriam de tomar cuidado para não destruir nada do maquinário, ou isso influenciaria toda a missão. Se conseguisse tirá-lo de lá…
-Hum… mas vocês estão presos… por onde pensam que vão sair?? –ele coçou o queixo, como se cogitasse essa hipótese no lugar deles. –Passarão por mim? Pode ser que sim… aliás, porque não o fazem agora… -ele deu passos para trás, regredindo. Cloe não gostou nada do que essa atitude poderia significar. Quando os três chegaram à porta, ao mesmo tempo em que o estranho ainda dava passos atrás, mantendo-se afastado e saindo do jato, puderam ver uma verdadeira tropa de demônios em volta do perímetro. A garota engoliu em seco.
-Nada bom…
Hiei girou o cajado entre os dedos finos. –Hum… Haradja e seus bichinhos de estimação… acho que o Deus das Trevas não ficaria feliz em saber que ela está usufruindo de seus capangas…
-Ele podia reclamá-los agora… -Sacha choramingou uma vez mais, tremendo dos pés a cabeça, mas pareceu se controlar, ou sua mira iria acabar prejudicada.
-Não pode… está preso… há milhares de anos…
-Gente, não quero ser estraga-prazeres, mas podemos discutir isso depois? –Cloe fez o chicote estalar contra o chão e entrou em posição de defesa. O rapaz continuou olhando-os, e abriu um sorriso de deboche ao ver as duas garotas, lado-a-lado.
-Uma cadela e um colibri… o que vão fazer? Me morder? Ou me bicar até a morte? –ele deu uma gargalhada, fazendo um sinal para as tropas esperarem.
-Nota-se que matou as aulas de biologia… -resmungou Cloe em um tom neutro, enquanto Sacha dava um piti dizendo algo como: “Sou uma águia! A-G-U-I-A, seu idiota!!” –Posso saber ao menos o nome do presente ignorante?
Ele abriu um sorriso e cravou a espada no chão. -Eu sou um dos generais de Haradja, mas sua amiguinha… Kit, certo? Ela me conhece por Driguem…
Cloe sentiu uma onda de enjoo, mas ignorou-a. As peças haviam se juntado. Fez o chicote enrolar e olhou de esguelha para Hiei e Sacha. –Conseguem matar os demônios?
-Sem duvida que sim… -ele fez sinal de positivo. Sacha teve um segundo piti, mas logo fez o arco vibrar e colocou uma flecha no mesmo, mirando. –Pode contar…
-Que ótimo… -ela levantou os olhos castanhos translúcidos para Driguem, e passou um laço pelo cabelo cacheado, prendendo-o. Ele parecia estar se divertindo com a situação… ela iria acabar com a festa dele. –O cérebro de ameba ali é meu… -deu dois passos, logo começando a correr.
Driguem deu o sinal de ataque e o exército se fechou em volta deles. A jovem foi pulando por cima das cabeças de meia dúzia de demônios, passando por baixo de outros e finalmente seu afiado chicote acertou o rosto do inimigo, causando-lhe um arranhão e fazendo-o cambalear, mas nada mais que isso. Ele se recuperou rapidamente e fez um golpe de baixo para cima com a espada, cortando alguns fios de cabelo que ficaram no caminho quando ela tentou desviar. Cloe praguejou baixinho para si mesma… não era a toa que a colocaram de estrategista… ela era ótima para armar planos e esquemas, mas e quando a abordagem envolvia uma luta real? Ela era boa, mas não o suficiente… quase se arrependeu de ter feito a escolha de bater de frente logo com ele, mas forçou-se a focar novamente sua atenção a batalha. Girou o corpo, evitando um segundo golpe e fez o chicote estalar, mas Driguem também desviou.
-Venha, venha, cadelinha… -e ele fez um barulho sutil, como quem realmente chama um cachorro, o que faria qualquer um perder a cabeça, menos Cloe… afinal, sua força estava na sabedoria, e se deixasse o ódio queimar em seu peito, isso logo seria anulado. Saltou, passando por cima dele e pousando em suas costas, logo virando o corpo e fazendo o chicote enrolar-se nas pernas dele, derrubando-o por hora. Um demônio a agarrou pelo tornozelo, impedindo-a de continuar seus golpes. Ela tentou levantar-se, mas vendo que não conseguiria, deu um chute com a perna livre em seu estomago, e logo o chicote partiu o ser em dois…
Hiei estava com uma pilha de corpos ao seu lado a estas horas, usando o seu cajado-bastão como uma lança e estocando quantos demônios caiam em sua vista. Normalmente eles não morreriam, mas como já deve ter imaginado, a arma que este carregava era especial, assim como a de Mitaray… ou talvez fossem ambos especiais? Não fazia muita diferença no momento. Ele girou sobre si mesmo e acertou um perseguidor na testa, fazendo-o virar pó, e logo voltou ao trabalho.
Sacha estava um pouco mais distante dele, e por incrível que possa parecer, estava se saindo muito bem. As flechas entravam com uma precisão perfeita no corpo dos monstros, na maior parte das vezes os deixando incapacitados de lutar, e outras pegando pontos estratégicos que os faziam explodir numa nuvem de fumaça sulforosa. Estavam neste pé… ela atordoando, ele matando, quando ela murmurou uma imprecaução e retirou-se para cima da asa esquerda do jato, mantendo uma distância segura.
-O que foi? –Hiei a interpelou, vendo sua atual imobilidade. Ela parecia caçar algo com os olhos agudos de águia, e quando o ouviu apontou metodicamente para a própria aljava, agora vazia. Parecia estar em busca de flechas reutilizáveis, mas ao ver que não acharia nenhuma naquela algazarra, deu de ombros para o mesmo.
Hiei revirou os olhos, continuando a sua tarefa. –Despiste-os… está fazendo um bom trabalho, patricinha…
Ela teria sorrido, se o elogio fosse mais elaborado… ou parecesse mais com um… abriu as longas asas e despencou no meio do campo, agarrando demônios desprevenidos e subindo, atirando-os lá de cima… ou no chão, ou em seus semelhantes, ou até mesmo perto do campo de visão de Hiei, que logo botava um fim em sua existência.
Enquanto isso, Cloe ainda penava para tentar manter-se inteira. Driguem atacava sem piedade, e a partir de certo momento, começara a acertar alguns golpes… sorte dela que ainda era rápida o suficiente para que só pegassem de raspão. Levantou o chicote preso entre as duas mãos para segurar uma estocada por cima, movendo-se rapidamente para sair da trajetória e acabando por ficar com mais um corte no braço. Sua testa também fora atingida, o que fazia um filete de sangue percorrer seu rosto, exatamente sobre um dos olhos, prejudicando sua visão. Ela deu alguns passos para trás, tropeçando em o que parecia um demônio agonizante-já que estes viravam pó quando definitivamente morriam, e acabou por cair. Quando tentou levantar-se, teve a deprimente visão de uma espada apontada para seu pescoço.
-Já acabou de latir?
Ela engoliu um rosnado baixo… seu lado fera estava tomando conta, e se este vencesse só Deus sabe o que poderia acontecer… provavelmente nada muito bom para si mesma. Girou a perna, tentando dar-lhe uma rasteira, mas ele não caiu no truque e espetou uma flecha perdida em sua canela, fazendo-a realmente uivar de dor. –Diga adeus a sua vida… ela acaba agora…
Ótimo… agora ela ia realmente morrer… e ainda por burrice, o que a deixava mais brava ainda… mas não foi bem isso que aconteceu…
Com um misto de surpresa e incompreensão ela viu algo se mover ao lado do corpo dele… um bastão? A única coisa que conseguiu discernir foi seu rival sendo lançado longe como se fosse uma bola de beisebol. Segurando o tal cajado-exatamente como quem segura um bastão do mesmo jogo-estava Hiei, que parou no meio do movimento e colocou uma mão sobre os olhos, observando onde seu mais recente alvo iria parar. –Como é que se diz mesmo quando faz um ponto?
-Er… não me lembro para falar a verdade… -ela estava atordoada demais até para lembrar o próprio nome.
Ele sorriu e estendeu a mão para ajuda-la a levantar-se. –Você é tão inteligente e faz algo tão idiota… o que tem na cabeça??
-Um cérebro… neurônios… e no momento um galo… -ela apontou para a própria cabeça, provavelmente tinha levado uma porrada de um demônio… ou fora Driguem? Ela não sabia muito bem. Pegou a mão que ele estendia e levantou-se com certo esforço. O lugar estava vazio… sem um monstro sequer… -Fizeram um bom trabalho…
-Não é nada mais do que eu já estou acostumado… -ele sorriu, levando a mão para trás da cabeça. –Tome mais cuidado da próxima vez…
-Certo… se houver uma próxima estarei mais preparada… -ela desfez o laço do cabelo, que já estava todo bagunçado, e voltou a amarrá-lo. Agora voltara a sentir o frio da noite. Sacha catava flechas pelo campo, depois de verificar que a amiga parecia bem, e ia colocando-as em sua aljava, uma a uma… -Ela se saiu bem?
-Para uma patricinha mimada amante de sertanejo... sim, ela se saiu bem…
Cloe quase conseguiu sorrir. –Menos mal… -suspirou, pensando consigo mesma que tinha de melhorar seu potencial… ou a falta dele custaria sua vida. Voltou lentamente para o jato, abraçando o próprio corpo por causa do frio. Sentiu um casaco ser colocado em seu ombro e levantou os olhos para Hiei.
-O que foi?
-Nada… obrigada…
-Não tem de que… estou com calor mesmo…
Ela percebeu que era uma mentira, mas não argumentou contra ele. Os três voltaram a se acomodar dentro do jato, cuidando de seus ferimentos. Sua canela ardia, mas ela ainda conseguia andar, o que era uma boa coisa. Olhou pela janela, pensativa. –Será que voltará?
-Não acho… ele estava atrás de outra pessoa…
-Kit… -engoliu em seco. “Espero que fique bem” pensou, voltando a limpar o extenso ferimento e a prestar atenção no notebook. Ela verificara antes mesmo de se sentar, imaginando se pudessem ter mandado uma mensagem durante o ataque, mas nada chegara. Não sabia se isso era bom ou ruim…

   

Kit estava começando a fazer notas mentais… do tipo “Não entre na fortaleza de sua meia-irmã psicopata, assassina e imortal”. Até mesmo sua fatídica voz interior resolveu desaparecer de vez… Olhou pela enésima vez para Ken, enquanto atirava longe um dos seus leques metálicos, visando arrancar a cabeça do demônio - ou fosse lá o que aquilo era - sem resultado satisfatório.
-Não havia outra rota?
-A gente não tinha tempo para procurar, oras…
-Isso não é desculpa…
Deveras… eles arrombaram nada mais nada menos que a porta da frente. Haradja deveria estar se divertindo com tanta ousadia… imaginando o pior jeito possível de torturar e mata-los… mas apesar de tudo, só o que viram foram armadilhas fracas e demoniozinhos esquisitos, mas que davam muito trabalho…
Faziam-na lembrar de cogumelos… quanto mais dava cabo deles, mais apareciam. Aquilo já estava deixando-a de saco cheio. Deu uma guinada, fugindo das garras afiadas de um e puxando Ken pelo braço.
-Por aqui…
Eles dois entraram em um vão na parede, e foram explorando mais e mais – parecia mais um muro colossalmente largo do que uma parede – até chegarem a uma fenda oposta, em outro salão. Kit vedou a entrada, deixando os demônios para trás por um tempo indeterminado.
A sala era enorme… tapeçarias vermelhas pendiam das paredes, tecendo uma visão impressionante. No meio dela, havia o que parecia ser um altar. Se olhassem para cima, poderiam ver o céu noturno sobre suas cabeças. O teto não era coberto, e a lua parecia pairar cada vez mais próxima do centro da circunferência. Deveriam estar exatamente no pináculo da torre.
-O trono não deveria estar por aqui?
-Não sei… acho que ela não gosta da vista… -Kit comentou e passou a vistoriar o local em silêncio.
-Ou talvez seja… -ele parou a frase a tempo de correr e saltar sobre Kit, forçando-a a se abaixar. Uma lança quilométrica passou por cima da cabeça dos dois, enquanto se entreolhavam.
-Okay… melhor não ficar viajando por aqui…
Ele ainda estava por cima dela, meneando a cabeça ligeiramente e dando um peteleco em sua testa. Havia uma escadaria adiante, provavelmente espiralada. –Vamos em frente… cuidado para não pisar em nenhum local suspeito…
-Sim, senhor… -Kit levantou-se devagar e eles foram andando com cuidado até a escada, passando a subi-la. Mas a própria escada já parecia um perigo… muitos degraus estavam semidestruídos e tortos, e quanto mais eles subiam, mais parecia que esta pregava uma peça nos dois… já deveriam estar chegando, visto que estavam em um “observatório” instantes antes. Era impossível que tivesse algo mais acima…
Mas havia… e eles não conseguiam alcançar, por mais que subissem.
Estavam nesse impasse, pensando se deveriam descer ou não, quando Kit começou a olhar as paredes. Símbolos estranhos a percorriam, tomando-a completamente… a própria escada parecia ter letras percorrendo os degraus destroçados. –É um feitiço… magia negra… e muito forte... –ela comentou, e levantou os olhos para cima, o alto da escada, que nunca ficava mais perto. –Não posso contra ela… mas se acharmos o ponto fraco…
-E tem um ponto fraco? –Ken deixou-se sentar em um dos degraus, olhando para cima também.
-Todas tem… pelo que parece, o deste lugar deve voltar-se para o começo da magia… ou onde ela foi lançada originalmente…
-Cross está fazendo mesmo um bom trabalho com você…
Kit o olhou de esguelha, mas não respondeu. –E o ponto é… -olhou novamente a parede, tentando seguir o padrão… as letras estavam espalhadas, mas formavam uma circunferência, mais provavelmente um caracol… ela precisava achar o meio… com certa dificuldade, levantou-se nas pontas dos pés e tocou a parede, descendo, com cuidado duplo para não escorregar e não perder o ponto onde estava. Por fim, abriu um sorriso e apontou para um ponto mais a frente. –Está ali…
Ken levantou-se uma vez mais, estralando as costas e se dirigindo ao local onde ela estava. Olhou para onde ela apontava e coçou a cabeça. –Ótimo… e como paramos isso?
-Rache a parede… isso deve bastar, por enquanto… -Dava de ombros. –Como eu disse, não tenho poder suficiente para fazê-la regredir… nem sei que contrafeitiço eu poderia usar aqui…
Ele desistiu de argumentar… ficara preocupado que o lugar desabasse por cima deles, mas imaginou que a magia de Haradja podia ao menos protegê-los disso… puxou a espada, desferindo um potente golpe no local indicado. A parede pareceu ficar ofendida, porque ele sentiu um tranco… como se estivesse sendo açoitado… e sentiu os ossos do braço trincarem, o que o fez largar a espada e quase cair. Kit segurou-o aparentemente assustada, e o puxou para perto mais uma vez. –O que foi isso?
-Eu não sei… é como se eu lutasse contra um muro de metal… a força simplesmente voltou contra mim… -ele mexeu o braço lentamente… não parecia ter torcido, mas estava bastante dolorido, como se ele tivesse caído por cima deste de mal jeito.
-Sinto muito, amor…
-Está tudo bem… pelo menos o encanto se partiu… -ele apontou para a parede. As letras regrediam aos poucos, fechando a “concha de caracol” cada vez mais, abandonando os degraus e boa parte da parede. No final, só restou a letra inicial, cuja forma tinha sido maculada por um grande corte de espada.
-Menos mal… -Kit pegou a mão dele e deu um beijo, ajudando-o a se manter de pé depois. –Vamos subir… ou descer… -ela olhou para baixo… parecia que tudo havia se invertido… e aquilo fazia mais sentido do que subir até chegar a lugar nenhum.
-Estou começando a odiar este lugar…
-Eu também…
Os dois seguiram descendo novamente, tomando o dobro de cuidado… mal sabiam o que poderiam encontrar lá em baixo.


~Kit Black

Nenhum comentário:

Postar um comentário