23 de abr de 2016

As aventuras de Ame-senpai e Dead Victor: A donzela em perigo 03

Ame-senpai


Eu olhei fixamente para o alien cor-de-rosa felpudo, e lancei um ataque com todas as minhas forças…
- Anulo todo o dano causado neste turno.
Filho de uma pelúcia abandonada…
Resmunguei em pensamento, enquanto ele me atacava com todo o seu exército e via minha vida reduzir-se a nada.
Quem diria que essas pragas eram boas no Magic?
Eu bem que tinha tentado ensinar o meu jogo de cartas favorito para Vic, mas ele definitivamente era mais fã de hearthstone, não tinha jeito. De qualquer forma, depois de ser abduzida por Eldrazis… digo, ETs de aparência irritantemente fofa, não estava em condições de ficar questionando muito. Eles poderiam até parecer inofensivos, mas tinham uma mentalidade maligna, uma daquelas que amam ver os seus prisioneiros torturados. De preferência com cosquinhas, mas eles tinham outros métodos terríveis, como enfiar-nos numa sala fechada com um som no último volume tocando funk carioca atual, cujas letras deixariam qualquer um com um bom senso de recato com o rosto em brasas. Ou prender-nos a cadeiras e nos fazer assistir todas as temporadas de Pepa Pig. Sim, aquilo foi  o pior.
É lógico que, a uns dias atrás, eu havia pegado emprestado (sem pedir permissão pessoalmente) para Victor um tal poncho muito estiloso, que coincidentemente eu ainda estava usando quando fui levada. Sua capacidade de oferecer invulnerabilidade (contra danos físicos) até que não funcionara muito bem com o raio transportador que me trouxe a nave, contudo ele parecia estar segurando bem as torturas de meus algozes peludos. Pelo menos as cócegas…
Quando eu já estava de saco cheio de fingir que estava rindo e me desesperando realmente por ver e ouvir tais atrocidades a minha sanidade, sugeri que começássemos a jogar uma partida de Magic - que, mais uma vez por coincidência, eles já conheciam. E aqui estamos nós.
O E.T pareceu ficar de saco cheio daquilo também e se afastou para guardar seus decks impecáveis, enquanto voltava a trancar a gaiola onde eu estava presa - mais confortável do que parecia, a primeira vista - e foi então que meu celular tocou. Quase havia esquecido que ele estava comigo, na verdade, nem pensara que o sinal pega-se no OVNI, mas aparentemente eles deveriam ter estacionado-o no ar perto de algum transmissor, porque era Victor que ligava.
Atendi sem muita preocupação que eles ouvissem. - Até que enfim, Vic...
- Senpai, você foi mesmo raptada?
- Lógico que não, é apenas um dos meus hobbys.
- Oh, que bom, porque eu acabei de ver uma mensagem deixada no céu…
- Onde?
- No céu, onde mais seria?
- Bom, não me importa. - resmunguei, coçando a cabeça. - Venha logo me buscar.
- Ué, mas não era só um hobby?
- Vou fazer você engolir essas palavras, sendo inocentes ou sarcásticas, quando chegar aqui. - levei o microfone para mais perto da boca. - A-G-O-R-A, Aprendiz relaxado, isso é sua nova missão.
- Mas onde é que você está?
- Você encontra, faz parte do desafio… fareje, dê seus pulos. - desliguei logo em seguida o celular, observando uma careta cor de rosa e fofinha me olhando atentamente e estendendo a mãozinha pra pegar o aparelho. Aparentemente, eu ia passar por mais uma sessão de Pepa Pig...
Acho que pela primeira vez na vida desejei realmente que Vic andasse logo...

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