7 de mai de 2016

As aventuras de Ame-senpai e Dead Victor: A donzela em perigo 05

Ame-senpai


Não sabia exatamente o que estava acontecendo do lado de fora, porque eu só conseguia ouvir berros, coisas explodindo e afins. Aparentemente meu aprendiz inútil havia caído em uma ilusão de mim mesma (quem esses E.T.s miseráveis pensam que são pra ficarem fazendo cópias menos fodas de mim?). Se ele não conseguia chegar até mim como o bom herói que deveria ser, eu ia me virar pra sair sozinha.
Bom, ao menos Vic tinha chamado a atenção da nave inteira pra cima dele, o que me deu tempo para me livrar das amarras, praticando um tipo de contorcionismo que nem eu sabia que conseguia fazer. Dai, foi relativamente simples ajeitar meu poncho e sair chutando a porta da cela em que eu estava até fazê-la voar longe.

Só pra constar, demorei bastante para consegui estourá-la, levando em consideração a grossura e a qualidade do material. Também sai com meu pé todo esturricado e com o dedo mindinho quebrado, o que não ia demorar muito pra regenerar, mas mesmo assim era frustrante.
Meu poncho (aliás, o poncho do Victor, que havia pegado emprestado e não esperava devolver tão cedo) aparentemente tinha dado um bug e eu sentira a porrada que dei contra a porta do mesmo jeito, resumindo, andar estava difícil naquele  momento.
Foi enquanto eu mancava em direção ao local em que Vic estava que eu vi… bom, algo não muito agradável de se ver.
Era uma garra gigantesca, manipulada por alguns dos aliens cor-de-rosa e fofinhos, que me fazia lembrar algo muito familiar. Repassei milhares de possibilidades na cabeça até chegar a conclusão óbvia: era uma garra de pegar brinquedos.
Manjam, aquelas maquininhas de parque de diversões, aquelas que nós nunca conseguimos pegar brinquedo nenhum indo nelas, porque as garras são mal feitas? Pois bem. Como a tecnologia alienígena é muito melhor que a nossa, obviamente que a dita garra era perfeita. Logicamente, também, ela conseguiu segurar o alvo e puxá-lo em direção ao seu manipulador.
E o alvo em questão era a mochila do Vic com todo o arsenal dele. Incluindo um pikachu ninja.
Bem, a mochila em questão não sobreviveu ao ataque, foi despedaçada (oh, céus, vou ter que escutar chororo do Victor por causa disso também… será que ele vai querer que eu ressuscite ela como fiz com o Ches?). Caiu Pikachu pra um lado, armas pro outro, e até mesmo um deck de Yugi-oh no meio. Antes que o estrago estivesse completamente feito, bati contra o vidro que me separava do ambiente em que todas essas coisas aconteciam e quebrei-o, cruzando os braços logo em seguida e olhando para baixo, na direção de meu aprendiz. - Ei, projeto de Herói. Aqui em cima!
- Ame-senpai! - eu não sabia se ele estava frustrado por ter ido até ali a toa, feliz em me ver ou apavorado com a morte de sua mochila e a bagunça feita por todas as suas coisas. - Você está bem!?
- Aparentemente estou melhor que você. - murei mais pra mim mesma do que por outro motivo, e logo vi uma porta gigantesca ser aberta do outro lado do salão. Até agora eu não sabia porque aquela nave e todos os recintos dentro dela eram tão altos, mas nesse exato minuto eu entendi o porquê.
A razão era um coelho fofinho rosa gigante com olhar homicida e segurando uma foice que dava dois dele e sei lá quantos de nós. Fiquei muito tentada a roubar aquela foice, ela ficaria ótima no meu arsenal - caso eu conseguisse andar por ai com ela, levando em consideração seu tamanho.
- Servo! Digo, Victor, atrás de você!
Bom, meu grito chegou meio atrasado, ele já havia levado uma patada da coisa e ido parar longe. Desviei de uns três coelhos-aliens normais que estavam afim de me recapturar e me preparei para dar minha mais alta voadora-pontapé de todas. Bom.
A questão é que eu havia esquecido que meus pés estavam detonados, o pulo não saiu tão alto como eu queria, nem com a força que eu queria. Quando consegui acertar a coisa, acabei acertando sua mão em vez da cabeça e como eu fiz isso com o outro pé estorricado acabei com uma senhora dor nos membros inferiores. Além de descobrir que agora a coisa gigante me segurava com uma das mãos de cabeça para baixo, e pelo jeito que ela me olhava, estava meio implícito que eu seria o lanchinho da madrugada.
Mais do que depressa, procurei o Vic com o olhar e gesticulei para ele. - Estou retirando seu selo por hora, Victor. Vou deixar que você me salve.
Eu pude ouvir os resmungos vindos lá de onde ele havia parado com a porrada do aliem. - Vou deixar que você me salve, vou deixar que você me salve… ela acha que sou o que, um criado?
Oh… só agora que ele percebeu?

Nesse meio tempo, o alien gigante já começava a me levar para sua boca. E nossa… tinha muitos dentes cariado, ele devia sentir uma dor danada pra mastigar… - Victor! EU TE LIBERTO DE SEU SELO. Agora vem até aqui e me salve de ser comida por um alien gigante com dentes podres, pode ser?

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