5 de mai de 2016

Kit Black: Viajantes de Mundos

Décimo capítulo: Uma noite interminável… um dia eterno. (parte I).


Há alguns anos…
Uma garotinha estava entretida fazendo o que parecia ser uma coroa de flores... ela tinha longos cabelos negros, e olhos castanhos esverdeados. Não deveria ter mais que três anos de idade. Sua mãe a observava com o canto dos olhos, embora a maior parte de sua atenção estivesse em outro lugar mais a frente.
Estavam no Mundo Real, então por que ela se sentia fatalmente inquieta? Mesmo que houvesse algum perigo iminente, ela saberia como lidar com ele...
A criança acabou seus preparativos e levantou-se, correndo até o lugar onde sua responsável estava sentada e estendendo os bracinhos para colocar a coroa na cabeça dela. E abriu um sorriso tão doce, que a fez esquecer suas preocupações por um segundo.
-Ah, ficou linda, Ly. –ela plantou um beijo em sua testa, ajeitando a coroa com a ponta dos dedos. Mas antes que pudesse paparicar mais a pequena garota, seu instinto voltou com força total, fazendo-a abraçar a criança e rolar o corpo para o lado, bem a tempo de evitar ser agarrada por uma criatura que descia da árvore mais próxima.
As sombras de fim de tarde já eram bem acentuadas, de forma que ele podia se esconder da luz do sol tanto quanto quisesse. Sua aparência não seria marcante, não fossem a pele pálida, os olhos avermelhados e as presas expostas, maiores do que as de qualquer ser humano comum.
Um vampiro.
O que um ser desses fazia naquele lugar, porém, era um mistério. Leah não pensou nisso naquele momento, evidentemente. Ela não pensava em nada, além de manter a menina a salvo. Só não sabia como fazer isso sem uma arma. Havia árvores, mas estas estavam distantes demais para que ela conseguisse retirar madeira e criar uma estaca a tempo. Ela não dispunha de água benta. E alho não fazia efeito algum, embora os filmes insistissem no contrário.
Ficou de pé, mantendo-se em frente ao vampiro, tirando seu campo de visão da menina atrás de si. Ele também devia ter se alimentado recentemente, já que a parte frontal de sua roupa estava empapada de sangue, que obviamente não o pertencia. E só então ela conseguiu racionalizar o que o teria levado até ali. Era a pessoa que deveria se esconder, custasse o que custasse. Não conseguiu mais pensar sobre isso, porque logo ele estava saltando para agarrar seu pescoço. Ela grunhiu, tentando se libertar. As unhas compridas e bem cuidadas faziam marcas profundas no rosto pálido, mas ele não ligava pra dor, se é que conseguia senti-la.
Então, o grito da garota tirou sua atenção finalmente de Leah, antes que acabasse por estrangulá-la. E sabendo que era isso que buscava, ele largou-a e foi em direção a sua vítima. As unhas dele também pareciam maiores que o normal, e utilizou-se delas para agarrar a perna da garota e puxá-la, de forma que ficasse de cabeça para baixo. E embora esta esperneasse e choramingasse, não parecia que haveria salvação alguma destinada a ela. Leah estava fora de combate, ainda tentando voltar a trazer ar a seus pulmões.
O vampiro mudou a posição, agora agarrando-a pela cabeça, pronto para morder o seu pescoço, ou talvez fosse melhor enfiar a cabeça dela no chão até destruí-la completamente? A única coisa que sabia era que sua mestra ficaria muito grata a ele, e que desfrutaria de um banquete de qualquer forma.
Mas sua convicção foi seu erro... ele não contava que uma espada atravessasse seu corpo a partir do ombro. A surpresa, mais do que a própria dor, fez com que ele soltasse a criança. Ela foi impedida de cair por um braço acolhedor, e logo estava muito distante de seu algoz.
O rapaz deixou a menina nos braços de uma Leah chocada e praticamente exausta, deixando apenas o conselho, ou talvez fosse uma ordem, para que fechasse os olhos dela. E se voltou para o vampiro. Este já exibia a típica expressão animalesca que indicava-o como sua próxima refeição, e atacou-o com toda a força que dispunha. –Devolva-me a criança!
Uma vez mais ele foi surpreendido, porém... com a mão livre, o rapaz puxou um objeto de suas costas e transpassou o coração do inimigo com extrema facilidade. E então, girando totalmente o corpo, passou a espada por sua cabeça, fazendo-a soltar-se do corpo e rolar pelo chão. Afinal, não era um adversário tão forte assim.
O garoto puxou o corpo que acabara de decepar por um bom tempo antes que chegasse a uma área onde o sol ainda manchava o prado, e viu-o virar cinzas. Só então voltou a ter com as vítimas, e encontrou uma garotinha cochilando nos braços de Leah, embora esta fosse sacudida por soluços. Provavelmente havia chorado até dormir. Ele passou a mão pela testa dela e sentou-se em frente a mulher, suspirando pesadamente.
-Sinto muito... eu percebi que ele tinha atravessado essa dimensão, e o segui para impedir que pudesse encontrar os rastros, mas ele acabou me enganando.
-Ele não parecia tão esperto a este ponto. –Ela respondeu, em um tom de voz rouco, enquanto passava a mão esquerda pelo pescoço: um hematoma roxo surgira a sua volta, mas ela não parecia ter se ferido mais que isso. –Não achei que veria-o outra vez, Nicolas.
-Eu não esperava que um deles fosse passar por mim. –ele parecia amargurado com tal ideia... não passava de um rapaz de seus treze anos. Desde cedo decidira treinar para participar da guerra que logo viria. Voltou a se levantar, endireitando-se e estendo uma mão para ajudar Leah a erguer-se também. –Preciso voltar. Não se preocupe, nenhum espião vai encontrá-las.
-Tem certeza? –ela apoiou a cabeça da menina em seu ombro, para segurá-la de forma mais fácil. A coroa de flores havia se despedaçado, e pétalas ficaram entrelaçadas em seus cabelos. Mas ela ainda mantinha a compostura.
-Absoluta. Estou treinando para isso. –o jovem Nicolas abriu um arremedo de sorriso, e tocou uma vez mais os cabelos da menina. –Espero que ela esqueça isso.
-Não tenho tanta certeza. Ela desenvolveu uma memória muito boa. Mas até que a hora chegue, talvez isso caia realmente no esquecimento.
De fato… ela esquecera daqueles momentos aterrorizantes, e sobrevivera a coisas piores. No entanto, não foi capaz de apagar o medo. Ele estava ali, no fundo, pronto para ser liberado novamente. E isso aconteceria quatorze anos depois…
   
Kit ainda ressonava, com a cabeça encostada no vidro do carro, quando a picape freou de maneira tão brusca que quase a fez voar contra o vidro.
-Ai… mas que…?
-Acorde… –ela sentiu seu corpo ser sacudido com certa urgência e abriu os olhos de imediato, visualizando tudo a sua volta em poucos segundos. Passou a mão pela cabeça, enquanto saia do veículo com passos trôpegos. Nicolas deixava o outro lado, aparentemente preocupado, os olhos claros buscando algo mais a frente. A estrada estava escura demais, e ele de fato havia atropelado alguma coisa.
A garota passou o punho pela testa para limpar um filete de sangue que atrapalhava sua visão e deu passos para trás, emparelhando-se com o homem a seu lado. Ele fechou ainda mais a expressão.
-Não faça movimentos bruscos…
-Isso vai depender do que você considera movimentos bruscos. –ela protestou em um tom mais baixo, tentando ver algo, sem muito sucesso.
-Apenas fique quieta, francamente. –passou o braço na frente dela, fazendo-a ir para trás. Sua outra mão preparou sua espada para uma possível batalha, e um brilho sutil percorreu toda a lâmina, onde a lua a encontrava.
O veículo chacoalhou atrás deles, de maneira violenta. Parecia que havia alguma coisa abaixo dele, tentando tirá-lo do lugar… Kit materializou com certa dificuldade uma pistola, usando-a para arrebentar as correntes que prendiam a motocicleta a ele – o que causou vários protestos da parte de Nicolas – e esta se desenganchou de imediato, rolando para trás e chegando ao chão com mais um solavanco do que quer que fosse que estava ali embaixo. E junto com ela uma criatura escamosa desceu da parte traseira, pulando para a estrada e erguendo um pescoço fino. E só então, suas escamas na base do pescoço se eriçaram e um mar de fogo jorrou em direção ao lugar onde estava antes, fazendo a garota estremecer de imediato.
-Eu não vi ele entrar…
-Ahn, aparentemente isso foi uma boa coisa. –Nicolas contornou com rapidez o carro, aproveitando-se da imobilidade de seu agressor, e puxou a primeira coisa que pensou em salvar, a mochila que carregava o Olho de Osíris. Ele atirou-a sem muita cerimônia para a sua companheira e correu mais uma vez em direção a moto. –Esqueça a picape, não vai dar para continuarmos com ela.
-Fácil falar depois do dragão tê-la queimado. –Kit passou as alças da mochila pelas costas, capturou Draco com a outra mão e correu junto com ele. E então o tanque explodiu. Com um estrondo ensurdecedor, levantando poeira e fogo para todos os cantos, assim como um cheiro desagradável de carne queimada. 
 
   

Mitaray sentiu um estremecimento percorrê-lo por completo, enquanto descrevia um arco com sua foice e degolava um demônio com muita facilidade. Ele voltou sua atenção para Hiei, um pouco mais distante, e gritou para ele recuar. E foi o que ambos fizeram, deixando por algum tempo a frente de batalha, enquanto a tropa de seres malignos batia de cara com os portões da muralha externa da cidade. Eles tinham sido sitiados a algum tempo, e com uma pequena parcela de soldados, tentavam mantê-la impenetrável. Mas sem dúvida isso não duraria para sempre.
-O que foi desta vez?
Hiei já começava a resmungar, balançando os braços de modo inconformado.
-Não sentiu nada?
-Senti, senti uma amargura por um tempo, mas as tropas estão avançando!
-De qualquer forma teríamos de recuar um pouco. –ele observou por detrás da muralha, passando os dedos pelos cabelos acinzentados obviamente incomodado. –Está acontecendo alguma coisa. Na sede, ou com alguém de lá.
-De qualquer forma, não podemos pensar nisso agora... estamos sitiados.
-Agradeço por reafirmar o óbvio, Hiei…
Ele ergueu seu olhar para uma das torres e viu um vulto familiar encarapitado em uma delas. –Ora, ora… olhe bem quem veio nos fazer uma visita.
O ser lhes sorriu momentaneamente, com um ar divertido. Era uma mulher de cabelos em tom castanho, levemente ondulados, e olhos hipnotizantes, claros, mas que não puxavam nem para o verde nem para o azul… eles pareciam alaranjados, mas estranhamente isso não os tornava difíceis de encarar. As roupas que utilizava eram um pouco curtas, em tons de marrom e bege, e assim também eram as asas que surgiam de suas costas, translúcidas e enormes, dando a impressão que se as batesse com muita força poderia levantar um vento forte o suficiente para fazer qualquer um voar.
Ela deu um salto bem calculado, passando para uma das torres mais próximas e logo para o piso, sem nenhum esforço. Esticou as asas, e depois o resto do corpo, num alongamento longo e demorado, antes de finalmente desfazer seu sorriso e observar os rapazes. –Ei, meninos… espero que não estejam tendo muitos problemas por aqui.
Os dois se entreolharam por um momento antes de curvarem seus corpos de imediato numa reverência. –Majestade...
-… creio que os problemas estão apenas começando.
-Compreendo. –a Deusa da Terra, Hera, fez um esgar e levou um dedo aos lábios. –Não vão conseguir manter esta fortificação por muito tempo.
-Até podemos, se Haradja não mandar nada pior contra a gente. –Hiei deu de ombros, enquanto Mitaray simplesmente negou com a cabeça.
-Não, os alimentos estão começando a escassear. Sabes que nós conseguimos sobreviver a certos imprevistos, mas o resto das pessoas daqui não.
-É. Levando isso em consideração, imagino que a resposta seja não mesmo.
Mitaray preferiu manter silêncio e focou mais uma vez seus olhos sobre a Deusa. Apesar de sua atitude relativamente despreocupada, um vinco começava a surgir em sua testa, o que significava que a resposta não lhe agradara em nada.
-Meninos… vocês sabem que eu não posso interferir diretamente, certo?
É, ela não podia. E todos sabiam disso. Deuses não devem interferir ao menos que estejam brigando contra outros Deuses. E por mais que Haradja fosse imortal e já tivesse acumulado muito poder, ela ainda assim não era uma divindade. Então o máximo que todos eles podiam fazer era lançar suas bênçãos, e dar pequenos empurrões de vez em quando.
Como nenhum dos dois se atreveu a responder, ela fez um biquinho e colocou as mãos na cintura. –Vou tirá-los daqui… é o máximo que posso fazer.
-Mas…
-Sem mas, nem meio mas… –balançou a mão de forma afetada em frente ao rosto. –Fortificações podem ser tomadas, o que ganha a batalha são pessoas. –apontou para os dois. –Ao meu comando, vocês se retiraram pelo portão norte e evacuarão todos os que estiverem nessa área. Depois, os dois vão voltar para a sede.
-Aconteceu algo? –foi a pergunta alarmada de Hiei, enquanto seu amigo apenas mordia o lábio inferior, preocupado.
-Vocês verão. Não se preocupem, os demônios não vão entrar tanto no território… isso para por aqui. –ela estreitou as sobrancelhas, lançando um olhar ameaçador para as criaturas ao redor dos muros. –Definitivamente.

   

Ken levou a mão ao coração, sentindo um aperto inconfundível no peito. Ele estava preso em um dos quartos subterrâneos da sede. Por quê?
Bom… quando lhe proíbem de ir a algum lugar e você tenta roubar um veículo para ir da mesma forma, está claramente quebrando as regras. Salem pegou-o tentando fugir para ir atrás de Kit, e foi forçado a trancá-lo. E ter certeza de que ele não arrombaria a porta desta vez. A barreira mágica parecia surtir um belo efeito sobre ele.
-Você sabe muito bem que pediu por isso, não sabe? –Crós apareceu do outro lado da grade, observando-o de cima a baixo.
-Vocês são todos uns injustos… por que o tal de Nicolas pode acompanhá-la e eu tenho que ficar aqui?
-Não to acreditando que isso é tudo por causa de ciúmes. –ele balançou a cabeça.
-Claro que não! Mas ela é minha namorada, é minha obrigação protegê-la!
O mago apenas o observou com um olhar tipicamente irônico. –Claro, sei…
-Desisto de tentar discutir com você.
-Como queira. –ele deu de ombros e olhou para o teto. –Não deveria se preocupar, meu caro.
-Eu não estou preocupado!
-Hum… vou fingir que acredito.
-Cale a boca, Crós.
-Mas é verdade. –ele estendeu as mãos para cima. –Francamente, jovens são tão irritantes as vezes.
Ken ficou obviamente tentado a responder, mas preferiu calar-se por alguns instantes, antes de virar-se para o outro lado. –Idiota.
-As meninas já estão a caminho também. –o outro mudou de assunto, coçando a cabeça.
-Pra onde?
-Você é desinformado além da conta. –fez uma careta, se virando para voltar ao lugar de onde ele veio. –Trarei sua janta mais tarde, que tal?
-Tanto faz… –voltou a olhar por trás das grades, e sua mão foi mais uma vez ao coração. Aquela pontada persistia, incomodando-o o suficiente para impossibilitá-lo de dormir, ou até mesmo pensar.

   

Ela sentiu o baque dos pedaços de ferro batendo contra a barreira que acabara de criar, sabendo que se tivesse esperado mais, estariam todos mortos. O escudo brilhou por pouco tempo, segurando a maior parte do impacto, e depois se desfez mais uma vez.
-Timing perfeito, gatinha.
Kit afirmou com a cabeça, o coração disparado dentro do peito. –Pensei que não ia dar.
-Você tinha dúvidas? –Nicolas observou-a com um ar desafiador, o qual ela respondeu apenas balançando a cabeça em concordância. Sem ter mais o que dizer, o rapaz voltou as suas preparações, subindo na moto e estendendo a mão para ela. –Bom trabalho, vamos continuar.
-Ainda não terminou… –Kit apontou para o outro lado, distante da explosão, onde alguns vultos se juntavam e vinham em sua direção. Todos tinham uma palidez marcante. Todos exibiam presas afiadas. Deveriam ser meia dúzia, mas sabendo exatamente o que eles eram, isso não era uma boa coisa, nem de longe.
-Vampiros.
-Vamp…? –ela se encolheu quase de imediato, empalidecendo drasticamente, com uma expressão chocada.
-Sim. Corra!
Ele a puxou, mas para sua surpresa ela não mexeu um músculo sequer… mantinha-se olhando para as criaturas que vinham em sua direção, os olhos arregalados em um estado visível de choque. Nick imprimiu um pouco mais de força desta vez, e um grito estrangulado saiu da boca da garota, antes que ele começasse a arrastá-la.
-Venha, ou vamos morrer!
Quando os olhos dela se voltaram para fitar seu companheiro ela finalmente pareceu acordar. Suas pernas se mexeram e ela se ergueu para começar de fato a correr, ainda mais rápido que ele.
-Para a moto… você consegue rechaçá-los?
-Re… chaçá-los?
-Com fogo.
-…
Talvez o silêncio dela fosse uma resposta perfeita, mas um segundo depois ela girou o corpo para trás e fez com que labaredas saíssem de seus dedos, acertando-os em cheio. Voltou a correr e deu a mão para Nicolas, que alcançava a moto e a puxava para si, para que sentasse atrás dele. Kit se acomodou, fez com que Draco se enrolasse em seu pescoço novamente e ajeitou uma última vez a mochila nas costas, antes de passar os braços em volta do outro.
-Segure-se firme.
-Okay.
Ela apertou com mais força, o que fez com que ele quase sufocasse, e um segundo depois Nick acelerava a moto, quase fazendo-a tombar, mas logo conseguiu restaurar o equilíbrio e impeliu-a para frente, bem a tempo de evitar o choque do primeiro vampiro. Com os cabelos sendo dispersos pelo vento, lançou um último olhar para a destruição atrás de si. E havia alívio o suficiente ao se distanciar dos vampiros que a fez suspirar.
-Você está bem? –perguntou o rapaz depois de algum tempo, e por não poder virar-se para ver a cara dela, teve que apelar para seus ouvidos.
-E-eu… acho que sim.
Certo, seus ouvidos capitavam muito bem a mensagem.
-Medo de vampiros?
-Não sei porque… eu…
-Perdoe-me… –ele mordeu o lábio inferior, e ela abaixou um pouco a cabeça para o lado direito.
-Pelo que?
-Nada…
Ele pareceu um pouco distante por algum tempo a mais, antes de continuar. –Estamos chegando a fronteira.
-Que horas devem ser?
-Ahn, acredite, isso não fará diferença nenhuma por aqui.
Kit desapertou o abraço apenas o suficiente pra não cair. –Era verdade, então?
-Claro que sim, tampinha. Acha que inventariam esse tipo de coisa?
-Acho que não… ei! Pare de me chamar de tampinha.
-Então cresça alguns centímetros, oras.
A resposta foi um amontoado de pragas, ditas em menos de um minuto, o que apenas o fez sorrir e acelerar um pouco mais, forçando-a a voltar a segurar com mais força. 


~Kit Black 

Nenhum comentário:

Postar um comentário