5 de jan de 2016

Caça a vampiros no Acre #03

Victor

Após minha senpai me endireitar em queda livre, as árvores apararam minha queda... foi pura sorte, mas ela ficará uma fera se descobrir, e nesse caso serei forçado a fazer outra maratona de mil dias ininterruptos.
Ao contrário de mim ela surpreendentemente caiu de cara no chão e eu, como todo bom aprendiz, fui até la zoar com a cara dela: -Como é o gosto da terra senpai, com molho vai bem?
Rimos muito...levei outra frigideirada, e após isso olhamos ao redor, tinha um povo estranho vestindo roupas da época vitoriana,  dizendo coisas como “sangue fresco” e “como vocês vieram parar aqui?”, então eu sorri pra minha senpai e ela entendeu: Dei alguns passos a frente e disse: - Sou vendedor de relógios da marca kabum, eles são famosos por mostrar a direção do sangue!
Olhei ao meu redor e contei cinco vampiros, eles se juntaram ao redor do meu incrível relógio explosivo e enquanto o tempo passava me afastei devagar e BUUUUUUUUM!
Os vampiros ficaram muito bravos, um deles gritou algo sobre eu ter estragado sua roupa de grife (acho que esse saiu do crepúsculo) então Ame-chan nos teleportou pro outro lado da ilha, onde tudo estava vazio. Pulamos entre as árvores ao melhor estilo Tarzã misturado com Chuk Norris e mister Bean (Mister Bean porque eu quis).
Aqueles vampiros eram do tipo Crepúsculo segundo minha senpai, então não podíamos usar a luz do sol pra matá-los, pois o único jeito de matar um vampiro afeminado é arrancar sua cabeça e queimar suas roupas de grife no mesmo dia. Então continuamos pulando até que meus olhos viram algo com que eu sonhava, sim eram eles, os pokemons que minha senpai prometeu, então trombei com um galho e desmaiei:
- Acorde escra...aprendiz inútil - disse Ame-chan, esbofeteando minha face.
- Não é hora pra fazer carinho no meu rosto senpai, finalmente achamos os pokemons!
-...
- Senpai, quer capturar os pokemons comigo?
- Não escravo, arranje um que sirva pra carregar meu celular, ficarei aqui tirando uma soneca.
Ela e as sonecas, uma história de amor mais bonita que Crepúsculo... deixando isso de lado ela me chamou de escravo?
.....
Aquela maldita megera linda, se não tivesse me selado eu a chutaria pra lua.
Na floresta havia vários pokemons mas nenhum deles era do tipo elétrico, então caminhei mais e mais até chegar a um lago onde tinha um pikachu, o que um pikachu fazia no lago não sei, talvez fosse a deusa dos mestres pokemons sorrindo pra mim. Então saquei minha pokebola mágica edição especial monster hunter que minha senpai me deu de aniversário (pois é, ela só parece uma megera, na verdade é apenas meio megera) e lancei contra ele, que deu uma mortal pra trás como se fosse uma dadiva ninja e sacou uma katana, e me encarou como se estivesse dizendo “cai pro x1 malandro”. Eu o encarei de volta e disse “challenge accepted” e então pulamos um contra o outro e num tilintar de ferro nossas espadas se chocaram e nós lutamos em sincronia por uma hora inteira, até que ele parou de lutar e nos encaramos de novo, então nos tornamos amigos e eu o capturei. A água do lago estava ótima, então decidi tomar um banho pra senpai não reclamar do cheiro. Ela vive me mandando comprar desodorante, não entendo o porquê.
Após o banho saquei minha vara de pescar e peguei alguns peixes pro jantar e um balde cheio d’água pra acordar Ame-chan, “isso vai ser interessante” pensei comigo mesmo, então levei os peixes até o acampamento e a acordei do meu jeito especial.



Ame-chan

- Da próxima vez que jogar água em mim, vou fazê-lo engolir magma.
Eu mantinha meu pé sobre a cabeça de Vic, forçando-a para baixo, enquanto mastigava um dos peixes recém-feitos. Meus cabelos estavam encharcados e minhas roupas nem se fala… de que adianta ter poder de secagem automática quando seu aprendiz/escravo/criado é um idiota?
- Mas Senpai, eu trouxe um pikachu, como você pediu. E ele usa katanas!
- Podia ser até o papa, já lhe falei mil vezes para…
Um barulho vindo das árvores fez com que eu me calasse, retirando o pé da cabeça dele para chutá-lo em direção a um grupo de vampiros que acabava de nos cercar. Eles caíram como cartas de baralho. Acho que eu deveria mesmo voltar a jogar boliche…
- Senpai….!!!!!
- Pare de choramingar e vá a luta! Lembre-se, a cabeça e as roupas de grife. Não se esqueça das roupas, ou eles vão acabar virando cadáveres sem cabeça que andam e ficam agarrando nossos pés. E de gente agarrando meus pés já basta você…
- Senpaiiiiii, esses vampiros com roupas de grife me assustam! Eu não quero, eu não quero, eu não quero!!!
Ele literalmente estava agarrado ao meu pé nesse momento (de alguma forma havia conseguido voltar o caminho até mim, acho que posso chamar isso de “o poder do medo”). Era só o que me faltava, um servo com vampirofobia crepusculesca… se bem que até mesmo eu sou tentada a me assustar com aqueles caras. Tipo, coisas que brilham no sol não são nem um pouco confiáveis.
- Me largue, desgraça, meu pé não é um ursinho de pelúcia pra você ficar agarrando.
- Mas ele é tão confortável!
- Eu vou te chutar outra vez!
- Ei! -eu pude ouvir as vozes exaltadas dos vampiros que eu havia derrubado minutos antes. - Não entendem nada de regras de cortesia? Quando começamos uma briga, esperamos que os adversários nos deem atenção!
- É, além do mais, nem tivemos nosso duelo verbal rebuscado ainda!
- Pikachu, eu o invoco! Choque do trovão neles! - Ouvi Vic exclamar, praticamente do nada, e em seguida um raio desceu dos céus e queimou-os até os ossos, de tão forte que estava… diabos me carreguem, isso é o que, Yu-gi-oh, pra ficarmos invocando coisas estranhas assim?
- Por que diabos você não fez isso antes?
- Ora, eu estava blefando! - meu aprendiz alegou, erguendo o queixo, com uma expressão muito satisfeita.
- Admita logo de uma vez que você ficou com mais medo de ter que entrar em um duelo verbal rebuscado do que dos próprios vampiros afeminados… - aleguei. Ele ignorou-me completamente, mas pela sua cara, deveria ser isso mesmo.
No fim das contas nosso acampamento estava mais uma vez destruído (será possível que não consigo comer nada direito quando estou em missão?), e decidimos ir adiante. E, é claro, coloquei o pikachu para carregar meu celular, porque a bateria já estava fraca. Não demorou muito para que ele começasse a tocar, avisando que haviam mensagens na caixa postal. Observei com repulsa as cinquenta chamadas não atendidas da minha mãe e as outras dez mensagens de voz gravadas…
- Senpai, você não vai ligar para a Megera-mor… digo, para a Majestade sua mãe?
- Nah… ela espera mais um pouco. Além do mais, agora estamos realmente chegando ao nosso objetivo.
Guardei o celular no bolso e apontei para o Castelo que surgia no meio das árvores, que eu podia jurar que tinha sido baseado em Castlevania. Ao menos nisso os vampiros desse lugar tinham que ter bom senso. Decidi que aquela seria minha moradia de verão enquanto eu estivesse naquele fim de mundo, e apressei o passo para encontrar meu futuro ex-anfitrião vampírico do qual iria roubá-la.
Ou melhor… pedir emprestado sem ter a intensão de devolver.  Afinal, sou uma pessoa muito educada.

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