14 de set de 2015

Trocando letras: Igraínne Marques

Olá meus caros leitores da Caverna de ideias, semana passada prometi à vocês postar a  entrevista da qual a escritora Igraínne Marques, me concedeu ( sim estamos com moral :D), como promessa é divida e não quero dá calote em vocês, taí!!!

Ainda não leu a resenha? Com apenas um click mágico, em Loki por literatura: Joana e Maurício - Igraínne Marques, vocês viajarão para um mundo onde o amor e a poesia se traduz em cartas.


Voltando à nossa tão aguardada entrevista, além do Livro, conversamos sobre os mais variados assuntos como a literatura brasileira atual, a XVII Bienal do livro, onde ela esteve presente, os desafios de se publicar um livro e entre outros.

Super simpática, divando nas pictures!
 
 
 
 
Iniciação com os livros e Influências.
 
 
Loki:

 
Bem a minha primeira pergunta, não poderia ser outra, foi a primeira coisa na qual pensei quando ouvi falar de você Igraínne, em seu nome, é o mesmo de uma personagem ,Igraíne Pendragon a mãe do rei Arthur, no livro Brumas de Avalon. Conta um pouco para gente como foi sua iniciação com os livros.


 
Igraínne Marques: 

 
Sim, é essa mesma a referência. Diferente do que a galera acha, Igraínne é meu nome mesmo, não um pseudônimo. Minha mãe é professora, assim como minhas tias, então cresci no meio do incentivo à leitura. Sempre gostei de histórias, minha família costumava fazer caravanas à Bienal do Livro, e as crianças (no caso, eu e minha irmã) sempre íamos junto. Não lembro exatamente o primeiro livro que eu li, mas possivelmente foi algo como as Reinações de Narizinho.

Loki:

 
É um privilégio nascer em meio aos livros, ter esse contato desde criança com um dos ícones da literatura infantil como Monteiro Lobato, é uma dádiva. Desde quando e por que você decidiu que seria escritora?
 

Igraínne Marques:

 
Eu acho que decidi na mesma época que fui apresentada aos livros. Eu já queria contar histórias. Numa dessas Bienais, minha mãe me comprou um diário (ironicamente, da Mônica*). Nele, comecei narrando as coisas mais banais. Depois, escrevi histórias sobre meus colegas de turma, lá pela segunda ou terceira série. Uma vez escrevi uma em que todos morriam num navio, inclusive eu, hahaha. Eu ainda tenho alguns desses diários e cadernos. É provável que a primeira história tenha sido sobre uma maçã vermelha que sorria em cima da árvore. Eu gostava dessa, era curta. :)

*Entendam a referência
 
 

Loki:


( Acho que ela assistiu muito Titanic, em relação ao barco hahaha) Seus amigos e pessoas próximas, eram e continuam sendo suas inspirações, quando vai escrever?



Igraínne Marques


Sim e não. Eu uso pessoas ao meu redor para construir personalidades, estruturas físicas. É mais fácil ser convincente quando você parte de uma verdade e não de uma mentira imaginada. Joana e Maurício são combinações de pessoas que conheci, mas escrevi histórias anteriores que tinham personagens visualizados como cópias (especialmente, mais uma vez, em quesito físico). Eu tento dar vida nova a esses seres humanos, deixá-los por si mesmo, embora sejam inspirações.


Loki:

 
No seu romance então havia uma composição desses elementos, os imaginários e existenciais. pude perceber também que há vários elementos do romantismo, da tragédia grega , do simbolismo e posso até ariscar um pouco de Literatura da era vitoriana e outros mais, quais períodos da literatura você se inspirou quando foi escrever Joana e Maurício?

Igraínne Marques:


Usei muito o Romantismo de segunda fase, além do pós Modernismo, embora menos. Nunca fui o exemplo da felicidade vívida, então ter algo que me tocasse, alcançasse a melancolia comum, me deixava confortável. Sobre a literatura contemporânea (ou pós moderna), acho que acabei usando o jogo de palavras, essa mistura de prosa e poesia, uma questão mais estrutural mesmo.




     Livro e personagens


Loki:


Nesse jogo de palavras, me chamou a atenção os personagens, primeiro Maurício Duarte, nome de fidalgo com origem portuguesa, o modo como ele escrevia as cartas, me fez lembrar a melancolia de uma cantiga do trovadorismo lusitano, posso dizer que ele é um Trovador?



Igraínne Marques:


Hahahaa, essa referência é muito boa. Mas não acho que Maurício seja um trovador, embora se assemelhe bastante. Maurício só se lamenta, ele é um poeta melancólico, idealiza Joana, tudo isso, mas acredito que ele próprio seja humilde demais para se classificar assim. Afinal de contas, ele sabe sobre o Trovadorismo, o pai era historiador.



Loki:

 
Quando joana disse que ele a cantava , lembrei na hora das cantigas hahaha.




Igraínne Marques:
 

(Minha resposta anterior não foi, chateada. Vou responder de novo. Obs: Deu um bug no Facebook nesse momento :P)
Sim, Joana diz isso. Eu quis fazer uma referência ao ato de cantar atual, cortejar uma menina. Essa necessidade que eu tinha em não limitar o tempo em que se passava a história acabava esbarrando na inclusão de gírias de diversos tempos - inclusive as gírias de hoje.
 

 Loki:

 
Joana Poole, me lembra as mulheres das obras vitorianas, uma mulher arrogante com as palavras quando quer ser, feminista, cheia de si, digamos teimosa e na grande maioria das vezes indecisa, mas falta algo, há um vazio, Joana Busca preencher esse vazio respondendo as cartas de Maurício?



Igraínne Marques:


Sim!!!! Joana busca preencher esse vazio. Acho que isso vai ao coração da história. Essa necessidade da Joana de se desmontar, de despir a camada social que ela tanto despreza (mas não dispensa). Ela vê em Maurício uma oportunidade de se aventurar, ser quem ela sempre sonhou, como se ela própria pudesse construir um alter ego naquelas cartas.



Loki:


A Joana , é a como a Igraínne é ou como devia ser , ou nenhuma das duas e por que?



Igraínne Marques


Essa é uma pergunta muito boa. Sim, a Joana é como eu, mas, exatamente como você disse, ela é como eu deveria ser, como eu gostaria de ser. Joana e Maurício nasceu de relacionamentos conflituosos, coisas que eu desejava a todo custo esquecer. No final, Joana não era mais eu, não era mais a minha essência, mas sim o Maurício. Joana era só como uma vingança infantil, uma loucura instantânea da própria Igraínne. E mesmo assim, depois de reler o livro, acho que ela acabou se desvencilhando, criando vida própria. Tanto ela quanto o Maurício.



Loki:


Em relação título de cara sabemos que se trata de um romance, um casal, a referência de casal na literatura mundial é Romeu e Julieta, no entanto em relação ao nome a primeira ideia que veio foi João e Maria, evidente que haveriam comparações entre os dois romances, há um pouco de Shakespeare em Joana e Maurício?



Igraínne Marques:


Essa não é a primeira vez que comparam a Romeu e Julieta, confesso que adoro esse tipo de associação. Eu gosto de Shakespeare, ele foi muito bom em tudo. Mas, de longe, não quis fazer essa referência com o título. Na realidade, o título original era "Com Ardor", mas eu não gostava, acreditava que poderia ditar uma impressão errada, como um livro erótico. Por falta de algo mais criativo, simplesmente escolhi o óbvio. Joana e Maurício ficou como melhor escolha. Mas gosto de pensar que, apesar disso, eles não são os únicos personagens da história, o que me dá certo alívio.



Loki:


Carta: há outros livros, que tratam da temática carta, mas não vi nenhum deles ter a estrutura escrita totalmente em cartas, o mais próximo foi Drácula de Bram Stoken , escrito em forma de diário, por que você escolheu a carta, onde atualmente usa-se bate papo rápido como whats app , facebook e etc?



Igraínne Marques:

Sempre achei a ideia de se escrever cartas algo bem simbólico. No meu caso, parecia-se muito com emails, já que são eles os filhos da correspondência. Decidi pela carta porque é algo que ainda se usa hoje em dia, quando se acompanha encomendas pelo correio. Quando alguém envia um livro, por exemplo, pode escrever uma carta para quem o receberá. Isso torna o presente mais especial. Além disso, a carta gera a lacuna, o leitor precisa se basear no que os dois escrevem. Nada mais. O mistério dessa parte me atraía muito, confesso. 
 
Loki:


A guerra durante a obra é chamada de dias cinzentos, essas cinzas , são da fumaça dos tiros do campo de batalha ou cinza, em alusão à névoa, dos dias nublados para representar a incerteza que os conflitos causam?



Igraínne Marques:


A segunda opção! Gosto da ideia de guerra representada dessa forma porque faz alusão ao fato de que guerra gera dor. Não seria racional ter sol, flores e campos lindos. O sofrimento contagia o ambiente




 Publicação do Livro, Literatura atual e Bienal do Livro.

Loki:

O mais leigo no assunto sabe das dificuldades para se publicar um livro no Brasil, é caro e burocrático, qual foram as principais barreiras que você encontrou para publicar o livro?

Igraínne Marques:


Primeiramente, o fato de JM não ser um livro especificamente comercial. Eu utilizei a plataforma da Amazon antes de chegar a uma editora. A Buriti me acolheu de forma ótima, mas não foi por conta da Amazon. Eu mandei o original para muitos lugares. O único sim recebido foi deles. 


Loki:


De uns anos para cá, há  uma "invasão" de livros estrangeiros no Brasil. Li nos noticiários que a maioria dos livros vendidos na Bienal não são nacionais, na sua opinião qual a dificuldade da literatura brasileira em atrair os leitores?
 

Igraínne Marques:
 

Acho que é uma questão midiática. O nacional é visto como inferior em outras artes também. É uma pena. Acho que o brasileiro desacredita do próprio talento. Por outro lado, vejo que isso vem mudando. Há autores realmente novos surgindo e tomando espaço. O próprio Draccon é um exemplo. Acho que deveríamos parar de procurar um QI (quem indica) e começar a indicar por nós mesmos. Nem os leitores de nacionais fazem isso. É uma pena.
 
Loki:



Na mesma bienal os livros nacionais mais vendidos foram de youtubers, que tinham blogs e agora são conhecidos por seus canais, ou seja daqueles não ligados diretamente à literatura. Os mais jovens , entre 14 e 24 anos foram o publico alvo dessa propaganda de massa, isso é também um reflexo da literatura brasileira?
 
 
Igraínne Marques:
Eu não tenho exatamente uma opinião formada em relação aos vlogueiros. O que me incomoda não são eles, de maneira alguma. Eles agarram oportunidades, o que é natural. O difícil é perceber editoras convidando essas pessoas para escreverem sem nem mesmo saber se eles escrevem. Na maioria, eles não o fazem. Passam a escrever pelo convite. E pelo dinheiro, claro. As editoras negligenciam escritores nacionais para investir em literatura de venda garantida. Fecham as portas aos poetas e abrem para as celebridades de internet. O livro não é mais a figura importante e sim o autor. O livro é coadjuvante. O talento e a vontade de contar histórias, portanto, também. É um jogo de imagem, no fim das contas, e não de palavras. Eu sinto que há muitas perdas. Não haveria como competir com isso, mas acho que seria uma boa alternativa separar espaço para os dois casos, em vez que sufocar um em prol de outro.

 
 
Loki:
 

Você esteve na bienal e está indo todos os dias, domingo passado autografou seu livro, qual a sensação de quando se vai pela primeira vez como uma criança em busca de livros e a primeira vez como escritora?
 
 
Igraínne Marques:


É bem diferente e bem mais cansativo. Faz lembrar o tanto de nao que levei das editoras. Leitor da bienal quer ler o conhecido. Oferecer seu livro é complicado. Ao mesmo tempo, é maravilhoso poder fazer isso sozinha, saber que está dando resultado. É uma vitória. Pequena, mas uma vitória.
 


Loki:

Recentemente eu estava assistindo um programa que estava tratando do preconceito literário entre o Brasil e outros países de língua portuguesa. Você cogitou a ideia de divulgar seu livro, e os outros que viram , em países como Portugal, Angola , Moçambique etc?



Igraínne Marques:


Sim. Claro que cogito, mas acredito que isso seja viabilizado mais pela editora. É complicado ter esse tipo de alcance sem base para orientar. Quem sabe um dia Emoticon smile

 




Planos e recados aos leitores.

Loki:


Quais seus planos, os leitores podem esperar mais livros tão como esse em poesia e também contos em prosa?



Igraínne Marques:


Escrevi um conto que está no livro *Buriti 100*, também sendo vendido no mesmo estande da Bienal. Estou trabalhando numa fantasia agora. Acredito que será uma narrativa menos tendenciosa e mais direta, não tão cheia de entrelinhas. Espero poder lançá-lo no ano que vem. Parar de escrever não é uma opção. Hahaha



Loki:


Para aqueles que sonham em serem escritores um dia, qual sua mensagem para eles?



Igraínne Marques:


Escrevam muito! Sei que o conselho habitual é ler muito, mas a galera esquece que escrever e praticar também é fundamental. É dessa forma que percebemos nossos vícios e desvios.



Loki:


Para finalizar, Igraínne muito obrigado, sucesso com o seu livro, não pare mesmo de escrever, eu como amante da literatura sou suspeito para falar, mas você tem muito talento e daqui a pouco tempo espero que eu esteja entrevistando você novamente e você fica me devendo um autografo. hahaha :D



Igraínne Marques:


Aaa muito obrigada, de verdade. Poder responder às perguntas foi um prazer. :)

 
 
 
Essa entrevista foi feita por chat do facebook, se houver alguma pergunta que algum de vocês gostaria de perguntar à ela, vocês podem bombardear o inbox dela, adicionem ela no facebook Igraínne Marques, Simm! ela vai responder, afinal são para isso que servem os leitores xD.
 
Bem por hoje é só, meus leitores amados! mas não esquecem nossa zoeira não terminar por aqui, sábado tem outra resenha marota.
Curtam nossa página no facebook: A Caverna de Ideias.
 
 
Loki, o deus da zoeira.
 
 

 
 


 

 



 
 
 










 





 

 
 






 
 



 
 






         


           
           
           

             
             
             
               
               
               
               


                 
                 
                 










                   

                   
                   



                     

                     
                     
                     





                     





                       

                       

                       






                       

                       
                       
                       
                       
                       
                       

                       
                       
                       

                       
                       




                      2 comentários:

                      1. Obrigada pelo espaço e interesse, querido! A entrevista foi linda :)

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                      2. Magina Igra, sou quem agradeço, por você ter disponibilizado um pouco do seu tempo, numa semana tão corrida e atarefada, desejo sucesso com o livro e outros que virão! :D

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